12.2.26

Yellowface: será que é tão yellow assim?



 


Conheci a Rebecca F Kuang meio que por acaso quando o meu marido, João, comprou um dos seus livros chamado Katabasis. Peguei para ler a sinopse e fiquei maravilhado com a história. Fui, então, pesquisar outras obras de sua autoria e acabei me deparando com o Yellowface, que foi traduzido no Brasil como A Impostora.

Preciso confessar que decidi ler esse livro exclusivamente por conta da capa. Fiquei apaixonado, pois, sua ilustração é toda amarela e tem apenas dois olhos desenhados. Ao longo da leitura também gostei DEMAIS do trabalho INCRÍVEL que a tradutora Yonghui Qio fez. Em diversos momentos temos algumas adaptações de gírias da internet que ficaram excelentes tanto para o contexto do livro como para o momento atual das redes sociais..

O livro e as personagens

Na história conhecemos Athena Liu e  June Hayward .Elas são amigas e formadas pela Universidade de Yale com um sonho em comum: serem escritoras. Poderia ser uma trama normal e simples, apenas contando os desafios e dificuldades no momento pós-faculdade e sua inserção no mercado de trabalho.

As coisas começam a mudar quando Athena Liu acaba morrendo logo nos primeiros capítulos, após ter finalizado a estrutura do seu novo romance. Ela comenta em um jantar com a sua amiga June Hayward e pede para ela ler algumas páginas e dizer o que achou, mas ela desdenha e acabam seguindo com o momento de distração. Após o ocorrido, sua amiga aciona o resgate e acaba levando o rascunho para casa e se apropriando da história.

Pontos fortes da trama

Os pontos fortes do livro estão na maneira como a autora trata temas complexos, mas sem ficar explicando como se fosse uma enciclopédia. Ela insere o tema no contexto diário e mostra as suas consequências nos mais diversos discursos.

Um exemplo é a visão que June Hayward possui sobre o sucesso de sua amiga. Para ela, ele se deu apenas pelo fato de ela ser uma escritora sino-americana e explorar as histórias de sua ancestralidade. Em nenhum momento ela se dá conta de todo o trabalho de pesquisa que Athena faz para desenvolver os livros e contar as histórias.

É uma visão parecida com a que muitos possuem sobre o sistema de cotas nos vestibulares e concursos por exemplo. A pessoa “jura” que não passou por conta dessa política pública, mas, quando vamos ver o, cotista ficou em segundo lugar e a pessoa estava na colocação de Nº 300. O problema sempre está no outro, nunca no que você entrega.

Nesse contexto ela coloca outras camadas de temas bem densos para serem debatidos como o discurso de ódio nas redes sociais, apropriação cultural, ética e plágio, além de muitas questões sobre como funciona o mercado editorial.

A narrativa é fluída e, ao meu ver, não existe nada que esteja apenas para encher linguiça. Todas as cenas e acontecimentos embasam os temas e as questões debatidas no livro, sendo essenciais para o desenvolvimento da trama.

Valeu a pena?

Sim! Esse foi um dos livros que entrou dentro do ranking que li em pouquíssimos dias. Você fica entre amor e ódio com a personagem principal, a curiosidade para saber o que June Hayward irá aprontar (e se irá se dar mal) só cresce e você não quer parar.

Recomendo, e muito, a leitura!


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Um comentário:

  1. Excelente resenha! Kuang tem feito sucesso em todo o mundo e acredito que seja exatamente por saber trazer em seus livros, de forma equilibrada, questionamentos sociais extremamente atuais r relevantes, uma boa bagagem intelectual e esse toque de humor. Quero lê-la!

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